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MODERNISMO

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Modernismo teve início em meio à fortalecida economia do café e suas oligarquias rurais. A política do “café-com-leite” ditava o cenário econômico, ilustrado pelo eixo São Paulo - Minas Gerais. Contudo, a industrialização chegava ao Brasil em conseqüência da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e ocasionou o processo de urbanização e o surgimento da burguesia.



O número de imigrantes europeus crescia nas zonas rurais para o cultivo do café e nas zonas urbanas na mão-de-obra operária.
Nesta época, São Paulo passava por diversas greves feitas pelos movimentos operários de fundamentação anarquista.



Com a Revolução Russa, em 1917, o partido comunista foi fundado e as influências do anarquismo na sociedade ficavam cada vez menos visíveis. A sociedade paulistana estava bastante diversificada, formada por “barões do café”, comerciantes, anarquistas, comunistas, burgueses e nordestinos refugiados na capital.



O Modernismo tem seu marco inicial com a realização da Semana de Arte Moderna, em fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. O grupo de artistas formado por pintores, músicos e escritores pretendia trazer as influências das vanguardas européias à cultura brasileira. Estas correntes européias expunham na literatura as reflexões dos artistas sobre a realidade social e política vivida. Por este motivo, o movimento artístico “Semana de Arte Moderna” quis trazer a reflexão sobre a realidade brasileira sócio-política do início do século XX.



Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras
Equipe Brasil Escola

Cantigas de Amigo

quarta-feira, 3 de março de 2010

Fragmento de canções do rei D. Dinis, descoberto pelo Prof. Harvey L. Sharrer. IAN/Torre do Tombo.

Constituem a variedade mais importante e original da nossa produção lírica da Idade Média, estas composições que se enquadram na poesia trovadoresca, mas que incluem a particularidade de conferirem estatuto de enunciação à mulher, embora sejam sujeitos masculinos a compô-las.



Um tipo peculiar de cantigas de amigo é o das paralelísticas, que aliam uma simplicidade de motivos e recursos semânticos ao elaborado arranjo da sua expressão, através de um esquema de repetitividade que enriquece o sentido pelo tom de litania e sugestão encantatória, muitas vezes magoada, perplexa ou interrogativa, que cria. Típicas da poesia galaico-portuguesa, encontram-se também nas cantigas de amor e noutras variedades poéticas medievais, persistindo até muito tarde na literatura medieval. O rei D. Dinis é um dos seus mais famosos cultores:

Ai flores, ai flores do verde pinho
se sabedes novas do meu amigo,
ai deus, e u é?

Ai flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado,
ai deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquele que mentiu do que pôs comigo,
ai deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado,
aquele que mentiu do que me há jurado
ai deus, e u é?

(...)

D. Dinis


João Zorro, poeta do mar como Martim Codax, é autor de uma barcarola célebre, em composição também paralelística:

Em Lixboa sobre lo mar
barcas novas mandei lavrar,
ay mia senhor velida!

Em Lisboa sobre lo lez
barcas novas mandei fazer,
ay mia senhor velida!

Barcas novas mandei lavrar
e no mar as mandei deitar,
ay mia senhor velida!

Barcas novas mandei fazer
e no mar as mandei meter,
ay mia senhor velida!

João Zorro

© Instituto Camões, 2001

O Fenômeno Literário e as Manifestações de Literariedade

terça-feira, 2 de março de 2010

“O enigma é falar coisas certas reunindo termos absurdos”
Aristóteles in A Poética.

1- A borboleta: uma analogia com o fenômeno literário

Em símile ao ciclo de vida de uma borboleta, situa-se o fenômeno literário. No inicio a palavra é automatizada, conduz ao senso comum - é uma lagarta-, contudo algo se interrompe, a metamorfose ocorre: ela fica por algum tempo dentro de um casulo- os procedimentos artísticos – para ganhar vôo e beleza de uma borboleta. Após isso, a palavra literária ganha a forma, movimento e condensa dentro de si inúmeros significados; faz vôos estranhos e singulares cuja compreensão prolonga-se a cada olhar. Como uma borboleta que não se deixa pegar facilmente; necessita-se de uma leitura atenta à palavra literária- à forma do vôo, a fim de apreendê-la.

É lícito dizer que a forma do vôo varia de um movimento rítmico circular, mais metafórico - a poesia- a um movimento mais voltado à seqüência, metonímico - a prosa. Esta em linhas contínuas, um novelo que vai se abrindo aos poucos; aquela em linhas descontínuas, um novelo que segue e volta para o mesmo ponto inicial.

No entanto, essa borboleta- a palavra literária- pode manifestar-se dessas duas formas em liame, de maneira a propiciar um desequilíbrio entre suas fronteiras; cita-se, a exemplo, a prosa poética de Guimarães Rosa em “o burrinho Pedrês”. Perceba a sonoridade bem à moda de poesia, as aliterações (b e v) e rimas produzem esse efeito.

“Um boi preto, um boi pintado,

cada um tem sua cor,

Cada coração um jeito

De mostrar o seu amor”.

Boi bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando... Dança doido, dá de duro, da de dentro, dá direito... Vai, vem, volta, vem na vara, vai não volta, vai varando...

GUIMARÃES ROSA, João. Sagarana.15. ed. Rio de janeiro: J. Olympio, 1972.

E, da mesma forma a poesia com a prosa. Observe o poema a seguir de Manuel Bandeira cuja tessitura dá uma idéia de seqüência.

Poema tirado de uma Noticia de Jornal

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro

[da Babilônia num barracão sem número.

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.



Manuel Bandeira in Libertinagem

1.1 A Manifestação de literariedade e sua visibilidade em o Áporo

“Penetra surdamente no reino das palavras

Lá estão os poemas que esperam ser escritos”.

Carlos Drummond de Andrade

O fenômeno literário engendra-se de maneira peculiar, possui características específicas às quais se dá o nome de literariedade: termo, provindo do formalismo, pelo qual se distingue a linguagem literária da linguagem referencial. Em concernência a essa idéia, Aristóteles, em a Poética, já notava algo impar na Poesia- o nome que denominava qualquer espécie de obra literária para os gregos-, dizia que clara e vulgar era a linguagem formada pelas palavras correntes e, nobre e elevada, a linguagem que empregava termos raros: os metafóricos e alongados e todos os que fogem aos de uso corrente.

Deduz-se, assim, que tanto a poesia como a prosa estruturam-se concernente a suas próprias leis, não precisam necessariamente estarem ligadas ao mundo referencial. E, indubitavelmente, elas não o imitam perfeitamente, mas sim o desconstrói para que emanem as dúvidas das ações dos homens; se assim o faz, é com fim de trazê-lo com suas nuanças elementares, através de um enigma formal; na poética de Aristóteles, isso aparece explícito quando ele fala: “O enigma é falar coisas certas reunindo termos absurdos”. Disso posto, pode vincular-se o conceito de mimese, a imitação não dos homens, mas sim de suas ações. Por isso, um isento como em A Metamorfose de Franz Kafka, por meio de aparência absurda, não representa um homem, contudo traços, ações humanas. O absurdo traz, recupera a realidade em sua profundidade.

Partindo desse pressuposto, considera-se um princípio errôneo querer que a linguagem literária se comporte como a linguagem comum; os procedimentos que a arquitetam são de natureza distinta, manifestam-se por outro ângulo: o da forma. O que importa não é o que dito, mas de que forma é dito; o conteúdo entrelaça-se à expressão. Por essa via, entende-se que um áporo não teria o mesmo valor como aparece no poema de Drummond; a forma o torna o Áporo , ou seja, a literariedade o singulariza. Nesse sentido, o poema tem um corpus autônomo, o qual se deve analisar, imanentemente, tendo em vista sempre os seus aspectos intrínsecos. Conforme os formalistas Jakobson e Eichembaum, o importante é o estudo do objeto literário, isto é, a obra e seus procedimentos artísticos . Entende-se, assim, que não interessa recorrer diretamente à biografia do autor e pontos da realidade para compreender o fenômeno literário. Análoga a essa afirmação encontra-se a idéia de Aristóteles em A poética , “a diferença é que na poesia tais efeitos devem decorrer unicamente da ação, sem expressar-se formalmente”. Note-se a importância dada a ação cujo significado é sinônimo de procedimento,



ÁPORO



Um inseto cava

Cava sem alarme

Perfurando a terra

Sem achar escape.



Que fazer, exausto,

Em país bloqueado,

Enlace de noite

Raiz e minério?



Eis que o labirinto

(oh razão, mistério)

presto se desata:



em verde, sozinha,

antieuclidiana,

uma orquídea forma-se.





Carlos Drummond de Andrade



Ao ler o poema, vem à baila o estranhamento- a percepção prolonga-se na linguagem, um efeito distinto o promove, corta os laços com a linguagem prosaica. A sensação apriori é de espanto, o código lingüístico de seqüência é quebrado, desaparece a lógica do senso comum: a imagem do Áporo estranha pelo fato de dizer o comum por uma outra forma. Por esse estranhamento se distancia a realidade; mas a recria sob outro prisma de tal modo a trazer à tona uma sensação de novidade. Como diz Pound, a literatura é novidade que permanece novidade, conclui-se que nunca é mesma percepção.

Destarte, esse processo em conluio com a ambigüidade- a qual contorna a tessitura do poema, pois se erige em torno de um significante (áporo) mais de um significado-, articulam uma desautomatização do olhar. À literatura significar-se mais, com o mínimo de palavras, é algo que lhe é típico; segundo Ezra Pound, é a linguagem carregada de significado até o máximo grau possível.

À luz da função poética de Jakobson, a qual torna proeminente a mensagem, tem-se de fato a metáfora sobre a metonímia. A escolha das palavras prevalece, o eixo de combinação segue em segundo plano; a relação se faz por analogia das imagens que sugerem a luta do inseto-homem para sair do labirinto, faz com que a adversidade, o obstáculo, se transformem em verde esperança e, como por mistério, o inseto se faz orquídea. Dessa forma, vale-se a imagem por sua capacidade de transmitir uma idéia: não aparece no texto literário apenas de forma pictórica, integra-se, fundamentalmente, ao sentido; contribui para uma nova percepção da realidade ao ponto que se distancia dela.

Quanto à manifestação da literariedade na forma, o áporo situa-se no âmbito da poesia, manifesta-se em versos, a sonoridade e o ritmo a diferenciam da prosa; não possui uma seqüência, volta-se para si mesmo, é um signo-de (termo de Décio Pignatari) que se encadeia pela similaridade.

Todavia, emana outra manifestação de literariedade do poema, a qual se concatena com o conteúdo e a forma de dizer: o lírico. Diz-se, assim, tratar-se de um poema lírico, e o é pela forma de orientar-se para um “eu”: para um visão particular do mundo. Os pontos que o evidenciam encontram-se nas interrogações(segunda estrofe) e nas exclamações (oh razão, mistério) das quais sobrevém uma emoção de um “eu”. Por tratar-se de uma poesia a função poética é a dominante no poema, mas outra função vem à baila na forma de dizer, a função emotiva: ela vale-se da subjetividade, das emoções do eu lírico.

2- Outras Manifestações de Literariedade: O lírico, o épico e o Dramático.

À perspectiva de Aristóteles, as manifestações literárias distinguem-se pelo método de imitar. Daí surgiram as nomenclaturas Épico, Lírico e Dramático. O Épico é modo pelo qual se imita os objetos narrando-os; o lírico é a imitação quando se assume a primeira pessoa e o Dramático é quando as personagens agem por elas mesmas

· O Lírico

O Lírico valoriza a subjetividade, “o eu”: configura-se com marcas lingüísticas e sinais envolvidos pela função emotiva. O conteúdo do lírico é, pois, a maneira pela qual a alma, com seus juízos subjetivos, alegrias e admirações, dores e sensações, toma consciência de si mesma no âmago deste conteúdo. Veja o exemplo o poema o Sentimento do mundo de Drummond no qual perpassa toda uma subjetividade; ”o eu” explicita-se pela primeira pessoa de modo que as marcas lingüísticas ( em negrito) sempre se referem ao interior do eu lírico.

Tenho apenas duas mãos

E o sentimento do mundo,

Mas estou cheio de escravos,

Minhas lembranças escorrem

E o corpo transige

Na confluência do amor.

Entretanto, percebe-se, atualmente, que as marcas lingüísticas não precisam aparecer explicitamente marcadas, como no poema acima, para ele ser lírico. Outros meios estão à mercê do lírico perceba-os no poema a seguir.

O mundo inimigo

O cavalo mecânico arrebata o manequim pensativo

Que invade a sombra das casas no espaço elástico.

Ao sinal do sonho a vida move direitinho as estátuas

Que retomam seu lugar na série do planeta.

Os homens largam ação na paisagem elementar

E invocam os pesadelos de mármore na beira do infinito.

Os fantasmas vibram mensagens de outra luz nos olhos,

Expulsam o sol do espaço e se instalam no mundo.

Observa-se a face do lírico não pelos pronomes como no poema anterior, mas pela presença do adjetivo “direitinho” e “elástico” que engendra toda uma subjetividade: a visão do particular do eu lírico diante do mundo inimigo fantástico; ele o descreve sob sua ótica; erige um tom pessoal no poema.

· O épico

Destoando do lírico no que tange à subjetividade, o épico volta-se ao “não eu”, quebra os laços da emoção e segue o plano exterior. Desse modo a poesia épica, segundo Jakobson, centra-se na terceira pessoa, põe intensamente em destaque a função referencial da linguagem, pelo fato de procurar narrar um não “eu”.

Nasceu na antiga Grécia com as epopéias Ilíada e Odisséia de Homero, perdurou no Império Romano com a epopéia Eneida de Virgilio, no final da Idade Média ganhou força com as novelas de Cavalaria, passou por Camões com os Os Lusíadas e no século XVIII derivou-se no romance, sua forma atual e de maior circulação.

A narrativa é o ponto primordial do épico, prioriza o objeto, mesmo que o objeto seja às vezes a vida do próprio narrador. No plano da narrativa tudo vira um “ele”, pense no romance Memórias Póstumas de Braz Cubas, no qual o autor defunto conta sua história; ao narrar se despe de toda subjetividade; sua vida torna-se um objeto ( um ele) no plano da narrativa.

· O Dramático

Em concernência a etimologia, drama significa “ação”. Nessa manifestação de literariedade, os personagens se apresentam por si, não há narrador e as ações vão se desenvolvendo pela própria apresentação, pois estes textos, em poesia ou prosa, são feitos para serem encenados.

As formas clássicas são a Tragédia- representação de um fato trágico, apto por trazer à tona compaixão e terror- e a Comédia, a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil, em geral criticando costumes.

Últimas palavras: a forma é o diferencial

De tudo exposto, fica evidente que o fenômeno literário se materializa de diversas formas. Contudo forma significa um dizer particular, por isso a literatura é o manifestar-se em uma forma singular, estranha e com procedimentos que lhe são particulares. Ler poesia é sentir o ritmo, a sonoridade e perceber a imagem de maneira a torná-las um pensamento integrado e analógico. Em símile na prosa, o leitor tem perceber a integração da forma: o enredo, os personagens e a perspectiva de narrar, para que, de fato, compreenda o fenômeno literário. A forma é o diferencial.

Bibliografia:

ARISTÓTELES(s/d) “Arte Poética” em Arte Retórica e Arte Poética, Rio de Janeiro: Ediouro.

JAKOBSON, Roman (1975) “Lingüística e Poética” em Lingüística e Comunicação. São Paulo: Cultrix.

VÁRIOS. (1976) Teoria da Literatura – Formalistas Russos. Porto Alegre: Globo.

História da Literatura

segunda-feira, 1 de março de 2010

Séculos VIII a.C. a II a.C.

As primeiras obras da História que se tem informação são os dois poemas atribuídos a Homero : Ilíada e Odisséia. Os dois poemas narram as aventuras do herói Ulisses e a Guerra de Tróia. Na Grécia Antiga os principais poetas foram: Píndaro, Safo e Anacreonte. Esopo fica conhecido por suas fábulas e Heródoto, o primeiro historiador, por ter escrito a história da Grécia em seu tempo e dos países que visitou, entre eles o Egito Antigo.

Séculos I a.C. a II d.C. : A literatura na História de Roma Antiga

Vários estilos que se praticam até hoje, como a sátira, são originários da civilização romana. Entre os escritores romanos do século I a.C. podemos destacar: Lucrécio (A Natureza das Coisas); Catulo e Cícero. Na época de 44 a.C. a 18 d.C., durante o império de Augusto, corresponde uma intensa produção tanto em poesia lírica, com Horácio e Ovídio, quanto em poesia épica, com Virgílio autor de Eneida. A partir do ano 18, tem início o declínio da História do Império Romano, com as invasões germânicas. Neste período destacam-se os poetas Sêneca, Petrônio e Apuleio.

Séculos III a X

Após a invasão dos bárbaros germânicos, a Europa se isola, forma-se o feudalismo e a Igreja Católica começa a controlar a produção cultural. A língua (latim) e a civilização latina são preservadas pelos monges nos mosteiros.A partir do século X começam a surgir poemas, principalmente narrando guerras e fatos de heroísmo.

Século XI : As Canções de Gesta e as Lendas Arturianas

É a época das Canções de Gesta, narrativas anônimas, de tradição oral, que contam aventuras de guerra vividas nos séculos VIII e IX , o período do Império Carolíngio. A mais conhecida é a Chanson de Roland ( Canção de Rolando ) surgida em 1100. Quanto à prosa desenvolvida na Idade Média, destacam-se as novelas de cavalaria, como as que contam as aventuras em busca do Santo Graal (Cálice Sagrado) e as lendas do rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda.

Séculos XII a XIV : O trovadorismo e as cantigas de escárnio e maldizer

É o período histórico do trovadorismo e das poesias líricas palacianas. O amor impossível e platônico transforma o trovador num vassalo da mulher amada, exemplo do amor cortês. Neste período, também foi comum o poema satírico, representado pelas cantigas de escárnio (crítica indireta) e de maldizer (crítica direta).

Séculos XIV a XV : Humanismo

O homem passa a ser mais valorizado com o início do humanismo renascentista. A literatura mantém características religiosas, mas nela já se podem ver características que serão desenvolvidas no Renascimento, como a retomada de ideais da cultura greco-romana. Na Itália, podemos destacar: Dante Alighieri autor da Divina Comédia, Giovanni Bocaccio e Francesco Petrarca. Em Portugal, destaca-se o teatro do poeta de Gil Vicente autor de A Farsa de Inês Pereira.

Século XVI : O classicismo na História

O classicismo tem como elemento principal o resgate de formas e valores da cultura clássica, ou seja greco-romana. O mais importante poeta deste período histórico foi Luís de Camões que escreveu Os Lusíadas, narrando as aventuras marítimas da época dos descobrimentos.

Destacam-se também os franceses François Rabelais e Michel de Montaigne. Na Inglaterra, o poeta de maior sucesso foi William Shakespeare se destaca na poesia lírica e no teatro. Na Espanha, Miguel de Cervantes faz uma sátira bem humorada das novelas de cavalaria e cria o personagem Dom Quixote e seu escudeiro, Sancho Pança, na famosa obra Dom Quixote de La Mancha.

Século XVII

As idéias da Contra-Reforma marcaram profundamente esta época, principalmente nos países de tradição católica mais forte como, por exemplo, Espanha, Itália e Portugal. Na França, a oratória sacra é representada por Jacques Bossuet que defendia a origem divina dos reis. Na Espanha, destacam-se os poetas Luís de Gôngora e Francisco de Quevedo. Na Inglaterra, marca significativamente a poesia de John Donne e John Milton autor de O Paraíso Perdido.

Século XVIII: O Neoclassismo

Época da valorização da razão e da ciência para se chegar ao conhecimento humano. Os filósofos iluministas fizeram duras críticas ao absolutismo. Na França, podemos citar os filósofos Montesquieu, Voltaire, Denis Diderot e D'Alembert, os organizadores da Enciclopédia, e Jean-Jacques Rousseau . Na Inglaterra, os poetas Alexander Pope, John Dryden, William Blake. Na prosa pode-se observar o pleno crescimento do romance.
Obras e autores deste período da História: Daniel Defoe autor de Robinson Crusoe; Jonathan Swift (As Viagens de Gulliver ); Samuel Richardson ( Pamela ); Henry Fielding ( Tom Jones ); Laurence Sterne ( Tristram Shandy ). Nessa época, os contos de As Mil e Uma Noites aparecem na Europa em suas primeiras traduções.

Século XIX (primeira metade): O Romantismo

No Romantismo há uma valorização da liberdade de criação. A fantasia e o sentimento são muito valorizados, o que permite o surgimento de obras de grande subjetivismo. Há também valorização dos aspectos ligados ao nacionalismo.
Poetas principais desta época: Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Giacomo Leopardi, James Fenimore Cooper, Edgard Allan Poe.

Século XIX (segunda metade): O Realismo

Movimento que mostra de forma crítica a realidade do mundo capitalista e suas contradições. O ser humano é retratado em suas qualidades e defeitos, muitas vezes vitimas de um sistema difícil de vencer.

Principais representantes: Gustave Flaubert autor de Madame Bovary, Charles Dickens (Oliver Twist ), Charlotte Brontë (Jane Eyre), Emily Brontë (O Morro dos Ventos Uivantes), Fiodor Dostoievski, Leon Tolstoi, Eça de Queiroz, Cesário Verde, Antero de Quental e Émile Zola, Eugênio de Castro, Camilo Pessanha, Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire.

Décadas de 1910 a 1930: fugindo do tradicional

Os escritores deste momento da História vão negar e evitar as tipos formais e tradicionais. É uma época de revolução e busca de novos caminhos e novos formatos literários.
Principais escritores deste período: Ernest Hemingway, Gertrude Stein, William Faulkner. S. Eliot, Virginia Woolf , James Joyce, Mário de Sá-Carneiro, Fernando Pessoa, Cesar Vallejo, Pablo Neruda, Franz Kafka, Marcel Proust, Vladimir Maiakovski.

Década 1940: a fase pessimista

O pessimismo e o medo gerados pela Segunda Guerra Mundial vai influenciar este período. O existencialismo de Jean-Paul Sartre , Simone de Beauvoir e Albert Camus vão influenciar os autores desta época. Na Inglaterra, George Orwell faz uma amarga e triste profecia do futuro na obra 1984.

Década de 1950: crítica ao consumismo

As obras desta época da História criticam os valores tradicionais e o consumismo exagerado imposto pelo capitalismo, principalmente norte-americano. O poeta Allen Ginsberg e o romancista Jack Kerouac são seus principais representantes. Henry Miller choca a crítica com sua apologia da liberdade sexual na obra Sexus, Plexus, Nexus. Na Rússia, Vladimir Nabokov faz sucesso com o romance Lolita.

Décadas de 1960 e 1970

Surge o realismo fantástico, como na ficção dos argentinos Jorge Luis Borges e Julio Cortázar . Na obra do colombiano Gabriel García Márquez , Cem Anos de Solidão, se misturam o realismo fantástico e o romance de caráter épico. São épicos também alguns dos livros da chilena Isabel Allende autora de A Casa do Espíritos. No Peru, Mario Vargas Llosa é o romancista que ganha prestígio internacional. No México destacam-se Juan Rulfo e Carlos Fuentes, no romance, e Octavio Paz, na poesia.

A literatura muda o foco do interesse pelas relações entre o homem e o mundo para uma crítica da natureza da própria ficção. Um dos mais importantes escritores a incorporar essa nova concepção é o italiano Ítalo Calvino.

Literatura e estranhamento

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Cap. II - 2.1 - Literariedade e estranhamento


O interesse da teoria literária se concentra não no sentido amplo do termo, que abrange todo o conjunto da produção escrita, sejam documentos históricos, jornalísticos, obras científicas ou técnicas, vistas por alguns teóricos como textos desprovidos de literariedade. O alvo é a literatura em sentido restrito, ou seja, as composições em que a linguagem se apresenta elaborada de maneira especial e nas quais se dá a constituição do universo imaginário ou ficcional.
A literariedade manifesta-se tanto em linguagem metrificada como em não metrificada. Ela se insinua e se mostra no texto por meio de metáforas, metonímias, alegorias, símbolos, analogias, pontuação, provocando a beleza, o impacto estético. A fuga ao convencional cria uma desfamiliarização que não resulta da utilização de elementos lingüísticos próprios, mas dos mesmos materiais cotidianos em uma organização diferenciada, mais densa, mais complexa. O texto literário escapa das medidas do previsível, fala do mundo mediante uma imagem do mundo, permitindo a apreensão do real pela imaginação. De acordo com Lajolo (1982, p. 43):
As formas literárias não são diferentes das formas lingüísticas, mas sua organização as torna (pelo menos algumas delas) mais visíveis. Enfim, a literariedade não é apenas questão de presença ou de ausência, de tudo ou nada, mas de mais e de menos (mais tropos, por exemplo): é a dosagem que produz o interesse do leitor.
A organização dos vocábulos de forma diferenciada da convencional, capaz de transmitir o máximo de imagens com o mínimo de palavras, de acordo com Chklovski, promovendo a desfamiliarização ou desautomatização, singulariza o objeto, obscurece a forma e prolonga e duração da recepção da arte. Para ele, as ações repetitivas, habituais tornam-se automáticas, ao ponto de serem praticadas inconscientemente. Isso é traduzido como economia de energia e facilita a percepção. Chklovski (in TOLEDO, 1971, p. 43) afirma que “a idéia de economia de energia como lei e objetivo da criação é talvez verdadeira no caso particular da linguagem, ou seja, na língua cotidiana.”
A literatura, assim, não busca a facilidade e a transparência da linguagem. Seu objetivo não é gastar o mínimo possível de energia na comunicação, mas, lançando mão de recursos que prendem a atenção, instigar o leitor a procurar o sentido ausente ou metafórico, não se detendo no sentido literal. A isso se chama “ostranenie” - estranhamento. Depreende-se, assim, que no texto literário cria-se uma linguagem capaz de quebrar o automatismo do cotidiano, representando as coisas num contexto inusitado e aumentando a dificuldade e a duração da percepção:
Examinando a língua poética tanto nas suas constituintes fonéticas e léxicas como na disposição das palavras e nas construções semânticas constituídas por estas palavras, percebemos que o caráter estético se revela sempre pelos mesmos signos: é criado conscientemente para libertar a percepção do automatismo; sua visão representa o objetivo do criador e ela é construída artificialmente de maneira que a percepção se detenha nela e chegue ao máximo de sua força e duração. (CHKLOVSKI in TOLEDO, 1971, p. 54).
Daí infere-se que é primordial para a recepção do texto literário que o leitor seja um intérprete dos signos, que tenha a disposição de procurar o que não está expresso nos vocábulos, em seus significados usuais, mas na combinação criteriosa e proposital desses, feita pelo criador. O texto criado por meio desse modo particular é que confere o caráter estético à literatura, caráter esse assegurado pela percepção do leitor.
Dulce Alves
Publicado no Recanto das Letras em 27/12/2008
Código do texto: T1354658