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CITAÇÕES

segunda-feira, 9 de março de 2009

Em um trabalho científico devemos ter sempre a preocupação de fazer referências precisas às idéias, frases ou conclusões de outros autores, isto é, citar a fonte (livro, revista e todo tipo de material produzido gráfica ou eletronicamente) de onde são extraídos esses dados.

As citações podem ser:

  • Diretas, quando se referem à transcrição literal de uma parte do texto de um autor, conservando-se a grafia, pontuação, idioma, etc, devem ser registradas no texto entre aspas;
  • Indiretas, quando são redigidas pelo(s) autor(es) do trabalho a partir das idéias e contribuições de outro autor, portanto, consistem na reprodução do conteúdo e/ou idéia do documento original; devem ser indicadas no texto com a expressão: conforme ... (sobrenome do autor).

As citações fundamentam e melhoram a qualidade científica do trabalho, portanto, elas têm a função de oferecer ao leitor condições de comprovar a fonte das quais foram extraídas as idéias, frases ou conclusões, possibilitando-lhe ainda aprofundar o tema/assunto em discussão. Têm ainda como função, acrescentar indicações bibliográficas de reforço ao texto.

As fontes podem ser:

  • Primárias: quando é a obra do próprio autor que é objeto de estudo ou pesquisa;
  • Secundária: quando trata-se da obra de alguém que estuda o pensamento de outro autor ou faz referência a ele.

Conforme a ABNT (NBR 6023), as citações podem ser registradas tanto em notas de rodapé chamadas de Sistema Numérico, como no corpo do texto, chamado de Sistema Alfabético.

Na Universidade Anhembi Morumbi, faremos o registro de citações pelo Sistema Alfabético, que coloca, imediatamente após as aspas finais do trecho citado, os elementos entre parênteses no corpo do texto.

Os elementos são:

  • Sobrenome do autor em letras maiúsculas;
  • Data da publicação do texto citado;
  • Página(s) referenciada(s)



CITAÇÕES DIRETAS

Curtas:

As citações curtas, com até 3 linhas, deverão ser apresentadas no texto entre aspas;a referência ao autor poderá estar no texto ou ao final da citação, neste caso, usa-se o sobrenome do autor entre parênteses e em letras maiúsculas.

Exemplo 1:

É neste cenário, que "[...] a AIDS nos mostra a extensão que uma doença pode tomar no espaço público. Ela coloca em evidência de maneira brilhante a articulação do biológico, do político, e do social." (HERZLICH e PIERRET, 1992, p.7).

Exemplo 2:

Segundo Paulo Freire (1994, p. 161), "[...] transformar ciência em conhecimento usado apresenta implicações epistemológicas porque permite meios mais ricos de pensar sobre o conhecimento [...]".

Exemplo 3:

Nóvoa (1992, p.16) se refere à identidade profissional da seguinte forma: "A identidade é um lugar de lutas e conflitos, é um espaço de construção de maneiras de ser e de estar na profissão."

Exemplo 4:

O papel do pesquisador é o de servir como ''veículo inteligente e ativo'' (LÜDKE e ANDRÉ, 1986, p.11) entre esse conhecimento acumulado na área e as novas evidências que serão estabelecidas a partir da pesquisa.


Longas:

As citações longas, com mais de 3 linhas, deverão ser apresentadas em destaque (normalmente, usa-se o itálico), separadas do texto por um espaço. O trecho transcrito é feito em espaço simples de entrelinhas, fonte tamanho 10, com recuo de 4 cm da margem esquerda. Ao final da transcrição, faz-se a citação.

Exemplo 1:

O objetivo da pesquisa era esclarecer os caminhos e as etapas por meio dos quais essa realidade se construiu. Dentre os diversos aspectos sublinhados pelas autoras, vale ressaltar que:

[...] para compreender o desencadeamento da abundante retórica que fez com que a AIDS se construísse como 'fenômeno social', tem-se freqüentemente atribuído o principal papel à própria natureza dos grupos mais atingidos e aos mecanismos de transmissão. Foi construído então o discurso doravante estereotipado, sobre o sexo, o sangue e a morte [...]. (HERZLICH e PIERRET, 1992, p.30).





Exemplo 2:

A escolha do enfoque qualitativo se deu porque concebemos a pesquisa qualitativa na linha exposta por Franco (1986, p.36), como sendo aquela que:

[...] assentada num modelo dialético de análise, procura identificar as múltiplas facetas de um objeto de pesquisa (seja a avaliação de um curso, a organização de uma escola, a repetência, a evasão, a profissionalização na adolescência, etc.) contrapondo os dados obtidos aos parâmetros mais amplos da sociedade abrangente e analisando-os à luz dos fatores sociais, econômicos, psicológicos, pedagógicos, etc. [...].






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CITAÇÕES INDIRETAS

Reproduz-se a idéia do autor consultado sem, contudo transcrevê-la literalmente. Nesse caso, as aspas ou o itálico não são necessários, todavia, citar a fonte é indispensável.

Exemplo 1:

De acordo com Freitas (1989), a cultura organizacional pode ser identificada e aprendida através de seus elementos básicos tais como: valores, crenças, rituais, estórias e mitos, tabus e normas.

Exemplo 2:

A cultura organizacional pode ser identificada e aprendida através de seus elementos básicos tais como: valores, crenças, rituais, estórias e mitos, tabus e normas. Existem diferentes visões e compreensões com relação à cultura organizacional. O mesmo se dá em função das diferentes construções teóricas serem resultantes de opções de diferentes pesquisadores, opções estas que recortam a realidade, detendo-se em aspectos específicos (FREITAS, 1989).

Exemplo 3:

A expressão latina apud que significa: citado por, conforme, segundo é utilizada quando se faz referência a uma fonte secundária.

É na indústria têxtil de São Paulo que temos o melhor exemplo da participação da família na divisão do trabalho. A mulher, neste setor, tem uma participação mais ativa na gestão dos negócios e os filhos um envolvimento precoce com a operação da empresa da família. (DURAND apud BERHOEFTB, 1996, p. 35).



Exemplo 4:

Spendolini afirma que

“o benchmarking é um excelente exercício de quebra de barreiras e de estímulo à visão ampla, que respeita e considera o externo. Aprender a pensar para fora da caixa, por intermédio dessa tecnologia, é promover o fortalecimento do espírito sistêmico e da capacidade de enxergar para além do horizonte.” (apud ARAUJO, 2001, p.205)

COMO ELABORAR UM ARTIGO

Carlos Denis de Campos Pereira

Resumo

Nosso objetivo é detalhar os passos na elaboração de um artigo acadêmico. Utilizaremos a NBR 6022 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que estabelece um sistema para a apresentação de um artigo acadêmico. Além de facilitar a elaboração de um artigo, este sistema confere qualidade na apresentação do mesmo. Um artigo bem elaborado apresenta o seu conteúdo de forma clara e objetiva, fazendo com que o entendimento das idéias desenvolvidas se faça presente.

Palavras-chave: Metodologia Científica. Trabalhos acadêmicos. Artigo.

1 INTRODUÇÃO

Ao longo das atividades acadêmicas, alunos e professores são constantemente demandados à elaboração de artigos técnico-científicos. Os professores, com muitas idéias revistas, estudadas e confrontadas, às vezes, fica meio perdido no momento de elaboração e escrita do artigo. Os alunos por sua vez nos dizem com toda certeza: estamos totalmente perdidos; como fazer um artigo? Neste sentido iremos detalhar os passos à elaboração de um artigo acadêmico. Utilizaremos a NBR 6022 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que estabelece um sistema para a apresentação de um artigo acadêmico.




2 DEFINIÇÕES E ESTRUTURA DO ARTIGO

A NBR 6022 — Informação e documentação — Artigo em publicação periódica científica impressa — Apresentação (2003) define três modalidades de artigos (2003, p. 2):
1. Artigo científico: [...] apresenta e discute idéias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento;
2. Artigo de revisão: [...] resume, analisa e discute informações já publicadas;
3. Artigo original: apresenta temas ou abordagens originais.

Verifica-se que as duas primeiras definições são próximas e podem agrupar-se na definição de “artigos de revisão” enquanto a última definição demarca a produção original, tais como relatos de pesquisas, estudos de caso etc. Rever as idéias de um determinado autor, comparando-as com as idéias de outros autores, é um trabalho de revisão, que exige um trabalho de pesquisa ampla e contextualizada, para se ter a idéia geral das obras dos autores pesquisados.

A estrutura de um artigo (NBR 6022, 2003, p. 3) é constituída de elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais. Os elementos pré-textuais são constituídos de (a) título e subtítulo (se houver); (b) autoria; (c) resumo na língua do texto; (d) palavras-chave na língua do texto. Os elementos textuais constituem-se de (a) introdução; (b) desenvolvimento; (c) conclusão. Os elementos pós-textuais são constituídos de (a) título, e subtítulo (se houver) em língua estrangeira; (b) resumo em língua estrangeira; (c) palavras-chave em língua estrangeira; (d) notas explicativas; (e) referências; (f) glossário; apêndices; (g) anexos.

Vejamos os significados de alguns elementos:
• resumo: apresentação, em frases seqüenciais, num parágrafo único, dos pontos relevantes do documento (máximo de 250 palavras). O resumo deve ressaltar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do documento. A norma que estabelece os requisitos para a redação de resumos é a NBR 6028 de 2003.
• palavras-chave: palavras representativas do conteúdo do documento. Devem figurar logo abaixo do resumo, antecedidas da expressão Palavra-chave, separadas entre si por ponto. Exemplo: Palavras-chave: Referências. Documentação.
• notas explicativas: notas usadas para comentários que não foram incluídos no texto.
• referências: conjunto de elementos padronizados pela NBR 6023 de 2002.
• glossário: lista, em ordem alfabética, dos principais conceitos utilizados no texto.
• apêndices: texto ou documento elaborado pelo autor, a fim de complementar sua argumentação.
• anexos: texto ou documento não elaborado pelo autor, que serve de fundamentação, comprovação e ilustração.

3 REGRAS GERAIS DE APRESENTAÇÃO DO ARTIGO

Inicialmente, devemos consultar a NBR 14.724 (2005) para a configuração geral do documento. Os textos devem ser apresentados em papel branco, formato A4 (21 cm x 29,7 cm). As margens devem ter as seguintes medidas: esquerda e superior = 3 cm; direita e inferior = 2 cm. O tamanho da fonte indicada é o tamanho 12; utiliza-se de uma fonte menor nas citações acima de 3 linhas e nas notas de rodapé. Todo o texto deve ser digitado com espaço 1,5 entrelinhas, excetuando-se as citações de mais de três linhas, notas de rodapé e referências. Nestes casos usamos espaçamento simples, entrelinhas.

Os títulos das seções são destacados gradativamente, utilizando-se os recursos de negrito, itálico, caixa alta, grifo etc. O título e o subtítulo devem estar separados por dois pontos. Os títulos são acompanhados pelo indicador numérico. Não se utilizam ponto, hífen, travessão ou qualquer sinal após o indicativo de seção ou de seu título (NBR 6024, 2003, p. 2). Os títulos sem indicativos numéricos devem ser centralizados. São eles, no nosso caso, o resumo em língua estrangeira, as referências, o glossário, o apêndice e o anexo.

O nome do autor (ou dos autores) deve ser acompanhado de um breve currículo que o(s) qualifique na área do conhecimento. O currículo, bem como o endereço postal ou eletrônico, deve aparecer em rodapé na página de abertura.

A introdução é a parte inicial do artigo, onde deve constar a delimitação do assunto tratado. É uma exposição breve que fixa os limites do assunto tratado: circunscreve e restringe o assunto tratado. Na introdução indica-se o objetivo, formula-se a problemática geral e as hipóteses levantadas, bem como “outros elementos necessários para situar o tema do artigo” (NBR 6022, 2003, p. 4). Muitos autores incluem a revisão da literatura na introdução:
Revisão de literatura: pode ser incluída na introdução ou apresentada separadamente. Devem citar textos que tenham embasado o desenvolvimento do trabalho. A revisão da literatura citada deve ser apresentada preferencialmente em ordem cronológica, conforme evolução do assunto, observando as normas para citação — NBR 10.520 (2002). (FRANÇA, 2004, p. 66).

O desenvolvimento do artigo é o núcleo do mesmo “onde o autor expõe, explica e demonstra o assunto” (Ibid., p. 64). É a parte principal do artigo, “que contém a exposição pormenorizada do assunto tratado. Divide-se em seções e subseções, [...] que variam em função da abordagem do tema e do método” (NBR 6022, 2003, p. 4).

A conclusão é a parte final do trabalho, “na qual se apresentam as conclusões correspondentes aos objetivos e hipóteses” (Ibid.). O autor apresenta “uma resposta à problemática do tema proposto na introdução” (FRANÇA, 2004, p. 67). Dever ser breve. O autor coloca a sua opinião, as limitações da pesquisa e recomendações.

Para que o artigo se complete temos que consultar outras normas de documentação. Um elemento que pode ser considerado essencial na elaboração dos artigos é a citação. Para se fazer um bom sistema de citações é necessário consultar a NBR 10.520 (2003). O mesmo acontece com as referências dos textos citados. É imprescindível a consulta da NBR 6023 (2002).

Finalizando a apresentação geral do artigo, devemos valorizar os detalhes dos elementos pós-textuais, tais como a utilização de outros idiomas para divulgação internacional do artigo em espanhol, inglês e francês. Podem-se utilizar ferramentas na internet para traduções . Os anexos são identificados por letras maiúsculas consecutivas, travessão e pelos respectivos títulos. Exemplo: ANEXO A — NBR 6022.

4 CONCLUSÃO

Para elaborar um artigo consulte a NBR 6022 — Informação e documentação — Artigo em publicação periódica científica impressa — Apresentação (2003) que define as modalidades de artigos bem como estabelece todos os elementos necessários para a elaboração do artigo.

Além de facilitar a elaboração de um artigo, este sistema confere qualidade na apresentação do mesmo. Um artigo bem elaborado apresenta o seu conteúdo de forma clara e objetiva, fazendo com que o entendimento das idéias desenvolvidas, se faça presente, ou seja, se torne inteligível.

COMMENT ÉLABORER UN ARTICLE

Résumé

Notre objectif est détailler les étapes dans l'élaboration d'un article académique. Nous utiliserons la NBR 6022 de l'Association Brésilienne de Normes Techniques (ABNT) qui établit un système pour la présentation d'un article académique. Ce système facilite l'élaboration d'un article et confère qualité dans la présentation du même. Un article bien elabore, présente son contenu de forme claire et objective, faisant avec que l'accord des idées là développées, se fasse cadeau, c'est-à-dire, se rende intelligible.

Mot-clés: Méthodologie Scientifique. Travaux académiques. Article.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 6022 — Informação e documentação — Artigo em publicação periódica científica impressa — Apresentação. Rio de Janeiro, mai. 2003.

______________________________________________________. NBR 6023 — Informação e documentação — Referências — Elaboração. Rio de Janeiro, ago. 2002.

______________________________________________________. NBR 6024 — Informação e documentação — Numeração progressiva das seções de um documento escrito — Apresentação. Rio de Janeiro, mai. 2003.

______________________________________________________. NBR 6028 — Informação e documentação — Reumo — Apresentação. Rio de Janeiro, nov. 2003.

______________________________________________________. NBR 10520 — Informação e documentação — Citações em documentos — Apresentação. Rio de Janeiro, ago. 2002.

______________________________________________________. NBR 14754 — Informação e documentação — Trabalhos acadêmicos — Apresentação. Rio de Janeiro, dez. 2005.

FRANÇA, Júnia Lessa. Manual para normalização de publicações técnico científicas. 7. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2004.

Como elaborar uma resenha

sábado, 7 de março de 2009

1. Definições

Resenha-resumo:
É um texto que se limita a resumir o conteúdo de um livro, de um capítulo, de um filme, de uma peça de teatro ou de um espetáculo, sem qualquer crítica ou julgamento de valor. Trata-se de um texto informativo, pois o objetivo principal é informar o leitor.

Resenha-crítica:
É um texto que, além de resumir o objeto, faz uma avaliação sobre ele, uma crítica, apontando os aspectos positivos e negativos. Trata-se, portanto, de um texto de informação e de opinião, também denominado de recensão crítica.


2. Quem é o resenhista

A resenha, por ser em geral um resumo crítico, exige que o resenhista seja alguém com conhecimentos na área, uma vez que avalia a obra, julgando-a criticamente.


3. Objetivo da resenha

O objetivo da resenha é divulgar objetos de consumo cultural - livros,filmes peças de teatro, etc. Por isso a resenha é um texto de caráter efêmero, pois "envelhece" rapidamente, muito mais que outros textos de natureza opinativa.


4. Veiculação da resenha

A resenha é, em geral, veiculada por jornais e revistas.


5. Extensão da resenha

A extensão do texto-resenha depende do espaço que o veículo reserva para esse tipo de texto. Observe-se que, em geral, não se trata de um texto longo, "um resumão" como normalmente feito nos cursos superiores ... Para melhor compreender este item, basta ler resenhas veiculadas por boas revistas.


6. O que deve constar numa resenha

Devem constar:

* O título
* A referência bibliográfica da obra
* Alguns dados bibliográficos do autor da obra resenhada
* O resumo, ou síntese do conteúdo
* A avaliação crítica


7. O título da resenha

O texto-resenha, como todo texto, tem título, e pode ter subtítulo, conforme os exemplos, a seguir:

Título da resenha: Astro e vilão
Subtítulo: Perfil com toda a loucura de Michael Jackson
Livro: Michael Jackson: uma Bibliografia não Autorizada (Christopher Andersen) - Veja, 4 de outubro, 1995

Título da resenha: Com os olhos abertos
Livro: Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago) - Veja, 25 de outubro, 1995

Título da resenha: Estadista de mitra
Livro: João Paulo II - Bibliografia (Tad Szulc) - Veja, 13 de março, 1996


8. A referência bibliográfica do objeto resenhado

Constam da referência bibliográfica:

* Nome do autor
* Título da obra
* Nome da editora
* Data da publicação
* Lugar da publicação
* Número de páginas
* Preço

Obs.: Às vezes não consta o lugar da publicação, o número de páginas e/ou o preço.

Os dados da referência bibliográfica podem constar destacados do texto, num "box" ou caixa.

Exemplo: Ensaio sobre a cegueira, o novo livro do escritor português José Saramago (Companhia das Letras; 310 páginas; 20 reais), é um romance metafórico (...) (Veja, 25 de outubro, 1995).


9. O resumo do objeto resenhado

O resumo que consta numa resenha apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral.

Pode-se resumir agrupando num ou vários blocos os fatos ou idéias do objeto resenhado.

Veja exemplo do resumo feito de "Língua e liberdade: uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (Celso Luft), na resenha intitulada "Um gramático contra a gramática", escrita por Gilberto Scarton.



"Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, a inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

O velho pesquisador apaixonado pelos problemas de língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística;o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante".




Pode-se também resumir de acordo com a ordem dos fatos, das partes e dos capítulos.

Veja o exemplo da resenha "Receitas para manter o coração em forma" (Zero Hora, 26 de agosto, 1996), sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", produzido pela LDA Editora, com o apoio da Beal.


Receitas para manter o coração em forma


"Na apresentação, textos curtos definem os diferentes tipos de gordura e suas formas de atuação no organismo. Na introdução os médicos explicam numa linguagem perfeitamente compreensível o que é preciso fazer (e evitar) para manter o coração saudável.

As receitas de Cozinha do Coração Saudável vêm distribuídas em desjejum e lanches, entradas, saladas e sopas; pratos principais; acompanhamentos; molhos e sobremesas. Bolinhos de aveia e passas, empadinhas de queijo, torta de ricota, suflê de queijo, salpicão de frango, sopa fria de cenoura e laranja, risoto com açafrão, bolo de batata, alcatra ao molho frio, purê de mandioquinha, torta fria de frango, crepe de laranja e pêras ao vinho tinto são algumas das iguarias".





10. Como se inicia uma resenha

Pode-se começar uma resenha citando-se imediatamente a obra a ser resenhada. Veja os exemplos:



"Língua e liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (L&PM, 1995, 112 páginas), do gramático Celso Pedro Luft, traz um conjunto de idéias que subvertem a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veementemente, o ensino da gramática em sala de aula.




Mais um exemplo:



"Michael Jackson: uma Bibliografia Não Autorizada (Record: tradução de Alves Calado; 540 páginas, 29,90 reais), que chega às livrarias nesta semana, é o melhor perfil de astro mais popular do mundo". (Veja, 4 de outubro, 1995).




Outra maneira bastante freqüente de iniciar uma resenha é escrever um ou dois parágrafos relacionados com o conteúdo da obra.

Observe o exemplo da resenha sobre o livro "História dos Jovens" (Giovanni Levi e Jean-Claude Schmitt), escrita por Hilário Franco Júnior (Folha de São Paulo, 12 de julho, 1996).


O que é ser jovem

Hilário Franco Júnior

Há poucas semanas, gerou polêmica a decisão do Supremo Tribunal Federal que inocentava um acusado de manter relações sexuais com uma menor de 12 anos. A argumentação do magistrado, apoiada por parte da opinião pública, foi que "hoje em dia não há menina de 12 anos, mas mulher de 12 anos".

Outra parcela da sociedade, por sua vez, considerou tal veredito como a aceitação de "novidades imorais de nossa época". Alguns dias depois, as opiniões foram novamente divididas diante da estatística publicada pela Organização Mundial do Trabalho, segundo a qual 73 milhões de menores entre 10 e 14 anos de idade trabalham em todo o mundo. Para alguns isso é uma violência, para outros um fato normal em certos quadros sócio-econômico-culturais.

Essas e outras discussões muito atuais sobre a população jovem só podem pretender orientar comportamentos e transformar a legislação se contextualizadas, relativizadas. Enfim, se historicizadas. E para isso a "História dos Jovens" - organizada por dois importantes historiadores, o modernista italiano Giovanno Levi, da Universidade de Veneza, e o medievalista francês Jean-Claude Schmitt, da École des Hautes Études em Sciences Sociales - traz elementos interessantes.




Observe igualmente o exemplo a seguir - resenha sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável", LDA Editores, 144 páginas (Zero Hora, 23 de agosto, 1996).


Receitas para manter o coração em forma

Entre os que se preocupam com o controle de peso e buscam uma alimentação saudável são poucos os que ainda associam estes ideais a uma vida de privações e a uma dieta insossa. Os adeptos da alimentação de baixos teores já sabem que substituições de ingredientes tradicionais por similares light garantem o corte de calorias, açúcar e gordura com a preservação (em muitos casos total) do sabor. Comprar tudo pronto no supermercado ou em lojas especializadas é barbada. A coisa complica na hora de ir para a cozinha e acertar o ponto de uma massa de panqueca,crepe ou bolo sem usar ovo. Ou fazer uma polentinha crocante, bolinhos de arroz e croquetes sem apelar para a frigideira cheia de óleo. O livro Cozinha do Coração Saudável apresenta 110 saborosas soluções para esses problemas. Produzido pela LDA Editora com apoio da Becel, Cozinha do Coração saudável traz receitas compiladas por Solange Patrício e Marco Rossi, sob orientação e supervisão dos cardiologistas Tânia Martinez, pesquisadora e professora da Escola Paulista de Medicina, e José Ernesto dos Santos, presidente do departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Os pratos foram testados por nutricionistas da Cozinha Experimental Van Den Bergh Alimentos.




Há, evidentemente, numerosas outras maneiras de se iniciar um texto-resenha. A leitura (inteligente) desse tipo de texto poderá aumentar o leque de opções para iniciar uma recensão crítica de maneira criativa e cativante, que leva o leitor a interessar-se pela leitura.



11. A crítica

A resenha crítica não deve ser vista ou elaborada mediante um resumo a que se acrescenta, ao final, uma avaliação ou crítica. A postura crítica deve estr presente desde a primeira linha, resultando num texto em que o resumo e a voz crítica do resenhista se interpenetram.

O tom da crítica poderá ser moderado, respeitoso, agressivo, etc.

Deve ser lembrado que os resenhistas - como os críticos em geral - também se tornam objetos de críticas por parte dos "criticados" (diretores de cinema, escritores, etc.), que revidam os ataques qualificando os "detratores da obra" de "ignorantes" (não compreenderam a obra) e de "impulsionados pela má-fé".


12. Exemplos de resenhas

Publicam-se a seguir três resenhas que podem ilustrar melhor as considerações feitas ao longo desta apresentação.


Atwood se perde em panfleto feminista

Marilene Felinto
Da Equipe de Articulistas

Margaret Atwood, 56, é uma escritora canadense famosa por sua literatura de tom feminista. No Brasil, é mais conhecida pelo romance "A mulher Comestível" (Ed. Globo). Já publicou 25 livros entre poesia, prosa e não-ficção. "A Noiva Ladra" é seu oitavo romance.

O livro começa com uma página inteira de agradecimentos, procedimento normal em teses acadêmicas, mas não em romances. Lembra também aqueles discursos que autores de cinema fazem depois de receber o Oscar. A escritora agradece desde aos livros sobre guerra, que consultou para construir o "pano de fundo" de seu texto, até a uma parente, Lenore Atwood, de quem tomou emprestada a (original? significativa?) expressão "meleca cerebral".

Feitos os agradecimentos e dadas as instruções, começam as quase 500 páginas que poderiam, sem qualquer problema, ser reduzidas a 150. Pouparia precioso tempo ao leitor bocejante.

É a história de três amigas, Tony, Roz e Charis, cinqüentonas que vivem infernizadas pela presença (em "flashback") de outra amiga, Zenia, a noiva ladra, inescrupulosa "femme fatale" que vive roubando os homens das outras.

Vilã meio inverossímel - ao contrário das demais personagens, construídas com certa solidez -, a antogonista Zenia não se sustenta, sua maldade não convence, sua história não emociona. A narrativa desmorona, portanto, a partir desse defeito central. Zenia funcionaria como superego das outras, imagem do que elas gostariam de ser, mas não conseguiram, reflexo de seus questionamentos internos - eis a leitura mais profunda que se pode fazer desse romance nada surpreendente e muito óbvio no seu propósito.

Segundo a própria Atwood, o propósito era construir, com Zenia, uma personagem mulher "fora-da-lei", porque "há poucas personagens mulheres fora-da-lei". As intervenções do discurso feminista são claras, panfletárias, disfarçadas de ironia e humor capengas. A personagem Tony, por exemplo, tem nome de homem (é apelido para Antônia) e é professora de história, especialista em guerras e obcecada por elas, assunto de homens: "Historiadores homens acham que ela está invadindo o território deles, e deveria deixar as lanças, flechas, catapultas, fuzis, aviões e bombas em paz".

Outras alusões feministas parecem colocadas ali para provocar riso, mas soam apenas ingênuas: "Há só uma coisa que eu gostaria que você lembrasse. Sabe essa química que afeta as mulheres quando estão com TPM? Bem, os homens têm essa química o tempo todo". Ou então, a mensagem rabiscada na parede do banheiro: "Herstory Not History", trocadilho que indicaria o machismo explícito na palavra "História", porque em inglês a palavra pode ser desmembrada em duas outras, "his" (dele) e story (estória). A sugestão contida no trocadilho é a de que se altere o "his" para "her" (dela).

As histórias individuais de cada personagem são o costumeiro amontoado de fatos cotidianos, almoços, jantares, trabalho, casamento e muita "reflexão feminina" sobre a infância, o amor, etc. Tudo isso narrado da forma mais achatada possível, sem maiores sobressaltos, a não ser talvez na descrição do interesse da personagem Tony pelas guerras.

Mesmo aí, prevalecem as artificiais inserções de fundo histórico, sem pé nem cabeça, no meio do texto ficcional, efeito da pesquisa que a escritora - em tom cerimonioso na página de agradecimentos - se orgulha de ter realizado.





Estadista de mitra


Na melhor bibliografia de João Paulo II até agora, o jornalista Tad Szulc dá ênfase à atuação política do papa

Ivan Ângelo

Como será visto na História esse contraditório papa João Paulo II, o único não-italiano nos últimos 456 anos? Um conservador ou um progressista? Bom ou mau pastor do imenso rebanho católico? Sobre um ponto não há dúvida: é um hábil articulador da política internacional. Não resolveu as questões pastorais mais angustiantes da Igreja Católica em nosso tempo - a perda de fiéis, a progressiva falta de sacerdotes, a forma de pôr em prática a opção da igreja pelos pobres -; tornou mais dramáticos os conflitos teológicos com os padres e os fiéis por suas posições inflexíveis sobre o sacerdócio da mulher, o planejamento familiar, o aborto, o sexo seguro, a doutrina social, especialmente a Teologia da Libertação, mas por outro lado, foi uma das figuras-chave na desarticulação do socialismo no Leste Europeu, nos anos 80, a partir da sua atuação na crise da Polônia. É uma voz poderosa contra o racismo, a intolerância, o consumismo e todas as formas autodestrutivas da cultura moderna. Isso fará dele um grande papa?

O livro do jornalista polonês Tad Szulc João Paulo II - Bibliografia (tradução de Antonio Nogueira Machado, Jamari França e Silvia de Souza Costa; Francisco Alves; 472 páginas; 34 reais) toca em todos esses aspectos com profissionalismo e competência. O autor, um ex-correspondente internacional e redator do The New York Times, viajou com o papa, comeu com ele no Vaticano, entrevistou mais de uma centena de pessoas, levou dois anos para escrever esse catatau em uma máquina manual portátil, datilografando com dois dedos. O livro, bastante atual, acompanha a carreira (não propriamente a vida) do personagem até o fim de janeiro de 1995, ano em que foi publicado. É um livro de correspondente internacional, com o viés da política internacional. Szulc não é literariamente refinado como seus colegas Gay Talese ou Tom Wolfe, usa com freqüência aqueles ganchos e frases de efeito que adornam o estilo jornalístico, porém persegue seu objetivo como um míssil e atinge o alvo.

Em meio à política, pode-se vislumbrar o homem Karol Wojtyla, teimoso, autoritário, absolutista de discurso democrático, alguém que acha que tem uma missão e não quer dividi-la, que é contra o "moderno" na moral, que prefere perder a transigir, mas é gentil, caloroso, fraterno, alegre, franco ... Szulc, entretanto, só faz o esboço, não pinta o retrato. Temos, então, de aceitar a sua opinião: "É difícil não gostar dele".

Opus Dei - O livro começa descrevendo a personalidade de João Paulo II, faz um bom resumo da História da Polônia e sua opção pelo Ocidente e pela Igreja Católica Romana (em vez da Ortodoxa Grega, que dominava os vizinhos do Leste), fala da relação mística de Wojtyla com o sofrimento, descreve sus brilhante carreira intelectual e religiosa, volta à sua infância, aos seus tempos de goleiro no time do ginásio ""um mau goleiro", dirá mais tarde um amigo), localiza aí sua simpatia pelos judeus, conta que ele decidiu ser padre em meio ao sofrimento pela morte do pai, destaca a complacência de Pio XII com o nazismo, a ajuda à Opus Dei (a quem depois João Paulo II daria todo o apoio), demora-se demais nos meandros da política do bispo e cardeal Wojtyla, cresce jornalisticamente no capítulo sobre a eleição desse primeiro papa polonês, mostra como ele reorganizou a Igreja, discute suas posições conservadoras sobre a Teologia da Libertação e as comunidades eclesiais de base, CEBs, na América latina, descreve sua decisiva atuação na política do Leste Europeu, a derrocada do comunismo, e termina com sus luta atual contra o demônio pós-comunista. Agora o demônio, o perigo mortal para a humanidade, é o capitalismo selvagem e o "imperialismo contraceptivo" dos EUA e da ONU.

Szulc, o escritor-míssil, não se desvia do seu alvo nem quando vê um assunto saboroso como a Cúria do Vaticano, que diz estar cheia de puxa-sacos e fofoqueiros com computadores, nos quais contabilizam trocas de favores, agrados, faltas e rumores. O sutil jornalista Gay Talese não perderia um prato desses.

Entretanto, Szulc está sempre atento às ações políticas do papa. Nota que João Paulo II elevou a Opus Dei à prelatura pessoal enquanto expurgou a Companhia de Jesus por seu apoio à Teologia da Libertação; ajudou a Opus Dei a se estabelecer na Polônia, beatificou rapidamente seu criador, monsenhor Escrivã. Como um militar brasileiro dos anos 60, cassou o direito de ensinar dos padres Küng, Pohier e Curran, silenciou os teólogos Schillebeeckx (belga), Boff (brasileiro), Häring (alemão) e Gutiérrez (peruano), reduziu o espaço pastoral de dom Arns (brasileiro). Em contrapartida, apoiou decididamente o sindicato clandestino polonês, a Solidariedade. Fez dobradinha com o general dirigente polonês Jaruzelski contra Brejnev, abrindo o primeiro país socialista, que abriu o resto. O próprio Gorbachev reconhece: "Tudo o que aconteceu no Leste Europeu nesses últimos anos teria sido impossível sem a presença deste papa".

Talvez seja assim também com relação ao que acontece com as religiões cristãs no nosso continente. Tad Szulc, com cautela, alerta para a penetração, na América Latina, dos evangélicos e pentecostais, que o próprio Vaticano chama de "seitas arrebatadoras". A participação comunitária e o autogoverno religioso que existia nas CEBs motivavam mais a população. Talvez seja. Acrescentando-se a isso o lado litúrgico dos evangélicos que satisfaz o desejo dos fiéis de serem atores no drama místico, não tanto espectadores, tem-se uma tese.

O perfil desenhado por Szulc é o de um político profundamente religioso. Um homem que reza sete horas por dia, com os olhos firmemente fechados, devoto de Nossa Senhora de Fátima e do mártir polonês São Estanislau e que acredita no martírio e na dor pessoais para alcançar a graça.





Um gramático contra a gramática

Gilberto Scarton

Língua e Liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino (L&PM, 1995, 112 páginas) do gramático Celso Pedro Luft traz um conjunto de idéias que subverte a ordem estabelecida no ensino da língua materna, por combater, veemente, o ensino da gramática em sala de aula.

Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra, o gramático bate, intencionalmente, sempre na mesma tecla - uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna, as noções falsas de língua e gramática, a obsessão gramaticalista, inutilidade do ensino da teoria gramatical, a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo, o esquecimento a que se relega a prática lingüística, a postura prescritiva, purista e alienada - tão comum nas "aulas de português".

O velho pesquisador apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação lingüística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial; gramática tradicional e lingüística; o relativismo e o absolutismo gramatical; o saber dos falantes e o saber dos gramáticos, dos lingüistas, dos professores; o ensino útil, do ensino inútil; o essencial, do irrelevante.

Essa fundamentação lingüística de que lança mão - traduzida de forma simples com fim de difundir assunto tão especializado para o público em geral - sustenta a tese do Mestre, e o leitor facilmente se convence de que aprender uma língua não é tão complicado como faz ver o ensino gramaticalista tradicional. É, antes de tudo, um fato natural, imanente ao ser humano; um processos espontâneo, automático, natural, inevitável, como crescer. Consciente desse poder intrínseco, dessa propensão inata pela linguagem, liberto de preconceitos e do artificialismo do ensino definitório, nomenclaturista e alienante, o aluno poderá ter a palavra, para desenvolver seu espírito crítico e para falar por si.

Embora Língua e Liberdade do professor Celso Pedro Luft não seja tão original quanto pareça ser para o grande público (pois as mesmas concepções aparecem em muitos teóricos ao longo da história), tem o mérito de reunir, numa mesma obra, convincente fundamentação que lhe sustenta a tese e atenua o choque que os leitores - vítimas do ensino tradicional - e os professores de português - teóricos, gramatiqueiros, puristas - têm ao se depararem com uma obra de um autor de gramáticas que escreve contra a gramática na sala de aula.

RESENHISTA OU CRÍTICO

1o. ITEM) REQUISITOS BÁSICOS PARA UM RESENHISTA ou CRÍTICO

Em Metodologia Científica, o resenhista ou crítico é um cientista do conhecimento; não é um palpiteiro, opinador. Tradicionalmente, são pré-requisitos para um resenhista ou crítico:
a) profundo conhecimento da obra que se pretende resenhar ou criticar (uma, duas ou dez leituras minuciosas da obra sob análise, às vezes, são francamente insuficientes);
b) profundo conhecimento do tema a que se refere a obra sob atenção (o tema ou assunto da obra deve ser conhecido, sob todos ou o máximo de pontos de vista e escolas de pensamento possíveis);
c) competência da matéria sobre a qual se sustenta a obra;
d) capacidade para formar, reconhecer, identificar conceitos de valor;
e) maturidade para exercer a atividade (essa maturidade tanto é emocional quanto intelectual e profissional);
f) correção e urbanidade (a correção envolve, inclusive conhecimento da língua materna ou de outras línguas que facilitem conversar e escrever; urbanidade opõe-se à agressividade, inclusive verbal ou escrita);
g) fidelidade ao pensamento do autor (resenhista ou crítico não emite juízo de valor sobre a obra; o que interessa é o pensamento do autor e não o pensamento do resenhista ou crítico);
h) humildade (significa saber o que se sabe e saber o que não se sabe).



2o. ITEM) ESTRUTURA DE UMA RESENHA CRÍTICA

- Referência bibliográfica utilizada pelo autor da obra sob análise crítica;
- credenciais do autor (da obra): quem é, nacionalidade, formação, titulação, publicações, sua relevância no campo científico, quando, porque e onde foi efetuado o estudo a que se refere a obra);
-resumo da obra: o resumo deve conter as idéias centrais da obra em estudo (há diferenças entre idéias acessórias, idéias principais e idéias centrais); um resumo não contém o que o resenhista ou crítico ACHA ser importante. Ao contrário, dá informações sobre: de que trata o texto, o que explana, exige algum conhecimento prévio para o entendimento, possui alguma característica especial, como foi abordado o assunto;
- conclusão do autor da obra: o resenhista ou crítico relata quais são as conclusões a que o autor da obra chega, aonde estão colocadas tais conclusões e quais são as mesmas;
- referência do autor: mencionar a teoria ou pressupostos teóricos usados como apoio pelo autor da obra;
- metodologia da autoria da obra: identificar qual ou quais os métodos (instrumentos de pensamento) de que se serve o autor da obra sob análise; identificar quais as técnicas de pesquisa utilizadas pelo autor, dentro do método anteriormente identificado;

- crítica ou apreciação do resenhista ou crítico: julgar a obra quanto a sua contribuição no campo do conhecimento, originalidade de idéias, quanto às Escolas-Correntes-Tendências científicas-filosóficas-culturais, quanto às circunstâncias culturais-sociais-econômicas-históricas... em que a obra foi escrita, qual é o estilo do autor (conciso, objetivo, simples, idealista, realista....);

-mérito da obra: qual é a contribuição dada pela obra, as idéias são verdadeiras, originaiS, criativas; qual a contribuição ao conhecimento (apresenta conhecimentos novos, amplos, restritos, abordagem vigente, abordagem diferente?);

- estilo: o autor é conciso, simples, claro, preciso, coerente, sua linguagem é ou não correta segundo a língua em questão;

- Forma: qual é a lógica sistematizadora da obra, sua originalidade, seu equilíbrio na disposição e na explicitação das partes;

- Indicação do resenhista: a que público a obra se dirige (geral, de especialistas, estudantes, pode ser adotado em algum curso ou disciplina).

Carlos Fernandes
Publicado no Recanto das Letras em 07/08/2007
Código do texto: T596099